BOA TARDE!
Os balanços do 1T26 chegaram e tornaram oficial o que as prévias de abril apenas insinuavam. A Cury registrou ROE de 79,5% — o maior da história da empresa. A Direcional cresceu 30% no lucro com margem bruta recorde. A Cyrela viu o lucro cair 9%. A MRV&Co fechou no vermelho, puxada pela subsidiária americana.
É a foto mais nítida do setor em anos: quem depende do MCMV cresce, quem depende do crédito convencional patina. E enquanto o Banco Central cortou a Selic para 14,5%, o crédito imobiliário ainda não sentiu — a transmissão é lenta, e os mutuários sabem disso.
O QUE VOCÊ VAI VER NESTA EDIÇÃO
→ Cury: ROE de 79,5% e lucro +42% — o número mais impressionante da temporada
→ Direcional: lucro +30% com margem bruta de 42,9% — recorde histórico
→ Cyrela: lucro cai 9% mesmo com receita subindo
→ MRV&Co: prejuízo de R$ 78 mi — mas o Brasil recupera
→ Selic em 14,5%: o financiamento imobiliário ainda não sentiu o corte
→ Déficit habitacional: 5,77 milhões — menor patamar da história
DESTAQUE DA SEMANA
O 1T26 separou as incorporadoras como nenhuma temporada nos últimos cinco anos
A linha divisória do setor imobiliário em 2026 não é porte. Não é região. É o perfil do cliente e a fonte do crédito.
A Cury (CURY3) foi o destaque absoluto. Lucro de R$ 303 mi (+42%), receita de R$ 1,6 bi (+33%), e ROE de 79,5% — o maior da história. A Direcional (DIRR3) confirmou a solidez: R$ 213 mi de lucro (+30%), margem bruta de 42,9% (recorde). A Cyrela (CYRE3) mostrou a outra face: R$ 297 mi de lucro, queda de 9%. A MRV&Co (MRVE3) fechou com prejuízo de R$ 78 mi, puxado pela Resia (EUA) — isolando o Brasil, lucro ajustado de R$ 133 mi, 7,4x o 1T25.
💡 Pensando no imobiliário: ROE de 79,5% é quase impossível no setor imobiliário. A Cury entregou exatamente isso e cresceu 42% no lucro ao mesmo tempo. Para qualquer player do setor, a pergunta relevante não é admirar o número: é entender o que a Cury está fazendo diferente que nenhuma outra consegue replicar.
O NÚMERO DA SEMANA
5,77 milhões
o menor déficit habitacional da história do Brasil
É o segundo ano consecutivo de queda: redução de 3,4% em 2024, segundo a Fundação João Pinheiro e o Ministério das Cidades. O dado é histórico — mas o desafio continua. Quase 6 milhões de famílias ainda sem moradia digna. A demanda estrutural por habitação no Brasil não vai sumir.
GRÁFICO DA SEMANA

HISTÓRIAS DA SEMANA
💰 Selic em 14,5% — quando o financiamento imobiliário vai sentir?
O Copom cortou a Selic pelo segundo mês consecutivo. O financiamento imobiliário, porém, segue entre 11% e 12% — a transmissão é lenta porque os recursos vêm da poupança (SBPE). O impacto real começa quando a Selic se aproxima de 12%. A Abecip projeta crescimento de 16% no crédito em 2026 de qualquer forma.
❝ O financiamento imobiliário não funciona como a renda fixa, não cai no dia seguinte ao corte. Mas o custo de oportunidade começa a mudar: renda fixa paga menos, e o imóvel fica mais atraente por comparação.
🔄 IGP-M volta ao positivo — o que muda nos contratos de aluguel
Depois de meses no negativo (chegou a -1,83% em 12 meses), o IGP-M de abril fechou em +0,61%. Para contratos com aniversário em maio, o reajuste é de +0,61% — quase zero. Mas a virada de sinal importa. O IPCA acumula 4,46% em 12 meses — bem acima do IGP-M.
❝ IGP-M positivo, mas ainda abaixo do IPCA. Para o proprietário, alívio. Para o inquilino acostumado ao IGP-M negativo, hora de prestar atenção no próximo vencimento.
🏗️ Lavvi guarda o maior lançamento da história para o 2T26
A Lavvi (LAVV3) teve receita de R$ 373 mi (+11%), mas lucro caiu 20% — sem lançamentos reconhecidos no trimestre. A empresa reservou o Jardim da Hípica (SP), seu maior projeto, para o 2T26. O risco: velocidade de vendas no alto padrão ainda travado pela Selic.
❝ Guardar o maior lançamento da história para um único trimestre é uma aposta concentrada. O 2T26 vai responder se a demanda estava represada — ou se o comprador de alto padrão ainda hesita.
BALANÇOS 1T26 — o retrato financeiro do setor
Empresa | Ticker | Lucro 1T26 | vs 1T25 | Destaque |
|---|---|---|---|---|
Cury | CURY3 | R$ 303 mi | +42% | ROE 79,5% — recorde histórico |
Direcional | DIRR3 | R$ 213 mi | +30% | Margem bruta 42,9% — recorde |
Cyrela | CYRE3 | R$ 297 mi | -9% | Receita +4%, lançamentos represados |
MRV&Co | MRVE3 | -R$ 78 mi | — | Resia (EUA) arrasta; Brasil ajust. +R$ 133 mi |
Lavvi | LAVV3 | R$ 70 mi | -20% | Sem lançamentos; 2T26 reservado |
Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos.
🔊 QUICK TAKES
🗳️ 35% dos brasileiros vão antecipar ou adiar compra de imóvel por causa das eleições. 18% querem comprar antes de outubro; 17%, depois. O calendário eleitoral está criando dois comportamentos distintos no mesmo mercado.
📊 Financiamento imobiliário deve crescer 16% em 2026, projeta Abecip — SBPE em R$ 180 bi, FGTS em R$ 145 bi. O 2S26 será o motor do crescimento.
🏗️ INCC-M avança 0,77% em maio e custo da construção acumula 6,82% em 12 meses — Desacelerou frente ao 1,04% de abril, mas segue pressionando margens. Para incorporadoras de médio padrão com crédito convencional caro e custo de obra subindo, a equação de 2026 está difícil dos dois lados.
📈 Em SP, MCMV já responde por 65% dos lançamentos do 1T26 — Lançamentos totais na capital recuaram 5% no trimestre, mas o MCMV foi na contramão. Quando dois terços do pipeline de uma cidade é de habitação subsidiada, o mapa do setor mudou de verdade.
🌎 Selic cai, mas crédito imobiliário continua caro — ISTOÉ Dinheiro explica por que o corte demora a chegar na parcela — e o que precisa acontecer para as taxas dos bancos recuarem.
ATÉ A PRÓXIMA QUINTA
Nos vemos na próxima quinta às 12h59. 🏗️
Até lá! 👋
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