O Grupo Casas Bahia (BHIA3) protocolou nesta segunda-feira (17) pedido de recuperação judicial envolvendo R$ 17,3 bilhões em obrigações — com bancos, fundos, seguradoras, fornecedores e, ponto que interessa diretamente ao mercado imobiliário, aluguéis. O pedido veio um dia após a varejista divulgar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre, 18 vezes maior que o do mesmo período do ano passado.
Para quem investe em fundos imobiliários de galpões logísticos ou é proprietário de imóveis alugados ao grupo, o recado é direto: a Casas Bahia é uma das maiores inquilinas de galpões do país, e a recuperação judicial abrange também as empresas de logística do grupo, como a ASAP Log e a Cntlog. Há fundos listados com parcela relevante da área bruta locável ocupada pela varejista — vale checar a exposição no relatório gerencial de cada fundo antes de qualquer decisão.
O precedente recente é o da Americanas, em 2023. Na ocasião, os aluguéis continuaram sendo pagos durante a RJ por serem parte essencial da operação — mas os riscos reais estavam em outro lugar: vacância antecipada com a devolução de imóveis na reestruturação e inadimplência pontual ao longo do processo. No caso da Casas Bahia, esse risco já tem número: o balanço do segundo trimestre registrou R$ 89 milhões em contratos de aluguel de unidades fechadas na Fase 2 da reestruturação.
A empresa afirma que o pedido busca proteção contra execução de garantias e vencimento antecipado de contratos. A ação caiu mais de 25% no pregão desta segunda-feira.
O que observar daqui em diante: a lista completa de credores, que revelará quais fundos e proprietários estão expostos e em que valor; o plano de fechamento de lojas, que define quanta área volta ao mercado; e o comportamento dos FIIs de logística e renda urbana nos próximos pregões.
💡 Pensando no imobiliário — Recuperação judicial de grande varejista não é só notícia de bolsa: é oferta futura de área logística e de loja de rua voltando ao mercado. Para o investidor de FII, o risco não está no aluguel de amanhã, e sim na vacância de depois de amanhã. Diversificação de inquilinos deixou de ser detalhe técnico e virou a métrica que separa fundos resilientes de fundos vulneráveis.
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Fontes: Money Times, Seu Dinheiro e Migalhas (17/08/2026).