Boa tarde!

Eztec bate recorde, Cyrela desacelera, governo libera mais R$ 20bi para o MCMV e inflação estoura o teto. Tudo o que importou no mercado imobiliário esta semana em 8 minutos.

O que você vai ver nesta edição?

A semana foi dominada pelas prévias operacionais do 1T26 e os números confirmam uma polarização crescente no setor: empresas do segmento econômico padrão acelerando, enquanto o alto padrão respira mais devagar. Ao mesmo tempo, o governo anunciou um aporte histórico de R$ 20 bilhões no Minha Casa Minha Vida e o Focus entregou um dado que merece atenção: pela quinta semana seguida, a inflação projetada subiu e cruzou o teto da meta de 4,50%. Preparamos tudo para você, vem com a gente!

Destaque da semana

R$ 20 bilhões de reforço para o segmento econômico

Na terça-feira (15/04), o governo federal anunciou um aporte de R$ 20 bilhões do Fundo Social ao Minha Casa Minha Vida, o maior desde a retomada do programa em 2023. O dinheiro vai direto para a Faixa 3, que passa a ter teto de renda maior (de R$ 8.600 para R$ 9.600) e limite de valor do imóvel ampliado (de R$ 350 mil para R$ 400 mil). A meta declarada: contratar 3 milhões de unidades até dezembro de 2026.

Isso é um choque de demanda. O aumento no teto de renda inclui uma camada significativa de trabalhadores que anteriormente ficavam de fora do programa. Com o FGTS já com R$ 144,5 bilhões de orçamento para 2026, o segmento econômico passa a ter o maior suporte institucional da sua história. Para incorporadoras expostas à Faixa 3 o recado é direto: mais compradores qualificados, mais financiamento disponíve e janela de crescimento estendida.

💡 Pensando no imobiliário: Com R$ 20 bilhões injetados no MCMV e o maior orçamento do FGTS da história, o segmento econômico não está apenas aquecido. Está com combustível para anos!

O número da semana

4,71% — IPCA projetado pelo Focus (14/04/2026)

Quinta alta semanal consecutiva nas expectativas de inflação. O número já ultrapassa o teto da meta de 4,50% e pressiona o Banco Central a ser mais cuidadoso no ciclo de cortes. Para o mercado imobiliário, cada 0,1 ponto extra de IPCA contamina a curva de juros e encarece o crédito habitacional. Enquanto a SELIC cai, a inflação sobe: esse cabo de guerra define o custo do financiamento nos próximos meses.

O que está acontecendo

📈 Eztec bate recorde histórico no 1T26

A Eztec (EZTC3) surpreendeu positivamente na prévia do 1T26: VGV lançado de R$ 925 milhões (+50,1% em relação ao 1T25) e vendas líquidas de R$ 696,8 milhões (+84,8% a.a.) — o maior resultado trimestral da história da companhia. A velocidade de vendas (VSO) ficou em 18,2%, o maior nível desde 2019.

🏗️ Por que importa? Eztec opera no segmento de médio-alto padrão em São Paulo. Esses números mostram que a demanda por imóveis acima de R$ 1 milhão segue robusta, especialmente para compradores que não dependem de financiamento pela Caixa. Um sinal positivo para o setor como um todo.

📉 Cyrela desacelera lançamentos, mas mantém vendas no 1T26

A Cyrela (CYRE3) lançou R$ 1,747 bilhão no 1T26, queda de 48% sobre o 1T25. O recuo foi mais intenso no alto padrão: -71%. No segmento econômico, a queda foi de apenas 9%. As vendas líquidas, por outro lado, ficaram resilientes em R$ 2,164 bilhões (+2% a.a.).

O que muda? A desaceleração nos lançamentos era esperada após o superciclo de 2025. A Cyrela optou por digerir o estoque antes de voltar a acelerar — uma estratégia de maturidade, não de fraqueza. O ponto de atenção fica para o alto padrão: se a inflação persistir e o Copom pausar os cortes, a janela de oportunidade pode estreitar.

Se você falou Cyrela desacelera corretamente e não Cyrela desarela, parabéns você passou no nosso teste de dicção rs

💰 Cury e Direcional: o segmento popular não para

Cury (CURY3) registrou vendas líquidas de R$ 2,3 bilhões no 1T26 (+9,5% a.a.), com geração de caixa operacional positiva de R$ 93 milhões. A Direcional foi ainda mais forte: vendas recordes de R$ 1,6 bilhão (+19% a.a.), com geração de caixa positiva. O governo federal ampliou tetos de renda (Faixa 3: de R$ 8.600 para R$ 9.600; Faixa 4: de R$ 12.000 para R$ 13.000) e limites de valor dos imóveis (Faixa 3: de R$ 350 mil para R$ 400 mil; Faixa 4: de R$ 500 mil para R$ 600 mil).

Por que isso importa? Orçamento recorde de R$ 144,5 bilhões no FGTS para 2026, mais R$ 20 bilhões extras do Fundo Social, mais ampliação de tetos: o segmento econômico tem o maior apoio estrutural em anos.

🌴 Moura Dubeux: +218% em lançamentos, -9% na bolsa

A Moura Dubeux (MDNE3) entregou a prévia mais impressionante da temporada: R$ 1,55 bilhão em VGV lançado (+218% a.a.), vendas de R$ 1 bilhão (+86% a.a.) e VSO de lançamentos em 41,5%. Mesmo assim, a ação despencou 9% no dia. O motivo: o mercado se fixou no consumo de caixa de R$ 120 milhões no trimestre.

Por que isso importa? O Nordeste está em ebulição, e a Moura Dubeux é o maior player regional. A queda de 9% parece exagerada para quem leu os dados operacionais com atenção — e pode ser uma janela de entrada. O ponto de atenção genuíno fica no caixa: crescimento acelerado consome capital, e o custo do dinheiro ainda está alto.

Gráfico da semana

📊 Vendas líquidas no 1T26 —crescimento anual por incorporadora

O gráfico desta edição deixa claro: não há um mercado imobiliário uniforme em 2026. Há dois motores distintos — o popular/econômico, com vento a favor do FGTS e do MCMV, e o segmento regional de alto crescimento (Nordeste via Moura Dubeux). O alto padrão segue com demanda, mas em velocidade menor.

🤔 Overview sobre os segmentos de ativos imobiliários do nosso Brasilzão🇧🇷

O que observamos no mercado esta semana — não é recomendação de investimento

Segmento

Nossa Leitura

FIIs de tijolo

Negociados com desconto em relação ao valor patrimonial; patamar de juros ainda pesa sobre as cotas

FIIs de papel (CRI)

Indexação ao IPCA e ao CDI em nível historicamente elevado beneficia a estrutura de receita desses fundos

Imóvel residencial (econômico)

Demanda crescente com respaldo do FGTS, expansão do MCMV e intenção de compra em recorde histórico segundo a CBIC

Imóvel residencial (alto padrão)

Absorção mais lenta; compradores mais sensíveis ao custo do crédito bancário e ao nível atual da curva de juros

Terreno / Desenvolvimento

Mercado fragmentado; operações dependem fortemente do custo e disponibilidade de crédito corporativo

🔊 Quick Takes

🏠 Para refletir: O crédito imobiliário no Brasil representa 10% do PIB — no Chile é 25%, nos EUA 65%. Com a Selic em ciclo de queda, o setor pode estar no início de uma expansão de décadas.

🏙️ Para explorar: Bradesco reduziu taxas do financiamento imobiliário e ampliou prazo para 35 anos — Itaú em 11,60% + TR e Bradesco em 11,70%: os bancos privados disputam o crédito habitacional pela primeira vez em anos.

🏡 Para saber: 50% das famílias com renda acima de R$ 2,5 mil pretendem comprar imóvel — recorde histórico da CBIC, contra 31% em 2022.

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