BOA TARDE!
O custo de construir subiu quase o triplo em abril, um FII de papel tombou 42% em um único pregão, e o mercado imobiliário movimentou R$ 8,28 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Três números que, juntos, revelam um mercado imobiliário de duas velocidades: quem está posicionado no segmento certo cresce com força e quem não está pagando a conta dos juros altos.
O QUE VOCÊ VAI VER NESTA EDIÇÃO
→ INCC-M dispara para 1,04% em abril — custo da construção volta a pressionar incorporadoras
→ CACR11 despenca 42% após suspensão de dividendos — o alerta que todo investidor de FIIs precisa ler
→ EZTec reporta +84,8% em vendas no 1T26 — maior resultado da história da empresa
→ IGP-M negativo em 12 meses: o que muda para quem tem contrato de aluguel
→ Mercado imobiliário movimentou R$ 8,3 bilhões no 1T26
DESTAQUE DA SEMANA
O mercado imobiliário não parou, ele ficou mais exigente
O mercado de investimentos imobiliários diretos no Brasil movimentou R$ 8,28 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Foram 25 transações, mais de 1,2 milhão de metros quadrados negociados e um preço médio de R$ 6.810/m², segundo o Market Beat da Cushman & Wakefield. Escritórios lideraram em volume (R$ 3,8 bi), seguidos pelo setor industrial (R$ 3,0 bi) e varejo (R$ 1,3 bi). O cap rate médio ficou em 9,5% ao ano.
O número impressiona menos pela magnitude do que pelo contexto: juros a 14,75%, cautela econômica e um ambiente global ainda volátil. O mercado não travou — ele ficou seletivo. Quem compra agora quer previsibilidade de renda, qualidade operacional e menor risco. Os FIIs continuam como protagonistas dos dois lados da mesa, comprando e vendendo, num movimento de reciclagem de portfólio que deve se intensificar ao longo de 2026 — vender o que não é estratégico para realocar em ativos com fundamentos mais sólidos.
A Cushman & Wakefield aponta que oportunidades pontuais vão surgir ao longo do ano, especialmente em reestruturações de portfólio e ativos precificados fora do padrão de mercado. Para o investidor paciente e bem-posicionado, o 2T26 pode ser o momento de entrada.
💡 Pensando no imobiliário: Cap rate médio de 9,5% ao ano com Selic a 14,75% ainda é spread comprimido — mas é o suficiente para quem aposta na queda dos juros. O sinal mais importante do 1T26 não está no volume: está no comportamento. Gestores sofisticados estão reposicionando portfólios agora, antes da valorização chegar. Quem espera a Selic cair para agir provavelmente vai chegar tarde.
O NÚMERO DA SEMANA
1,04%
INCC-M sobe 1,04% em abril — custo da construção acelera
O mercado de médio padrão listado na B3 fechou o 1T26 com 21 meses de estoque — quase dois anos de vendas no ritmo atual. No segmento de alta renda, são 18 meses. O saudável é até 12.
O dado traduz o gargalo das incorporadoras que não estão no MCMV: lançamentos acelerados em 2024 não foram absorvidos pela velocidade de vendas esperada. Com crédito caro e comprador de renda média hesitante, o estoque virou o principal problema de curto prazo — e a principal razão pela qual os lançamentos em SP recuaram 60% no 1º bimestre de 2026.
Números principais para referência:
Abril 2026: +1,04%
Março 2026: +0,36%
Acumulado 12 meses: +6,28%
Materiais e Equipamentos: +1,40% no mês
Mão de obra: +0,61% no mês
GRÁFICO DA SEMANA
O Tombo do CACR11 em um único pregão

Na segunda-feira, 4 de maio, o fundo imobiliário Cartesia Recebíveis Imobiliários (CACR11) encerrou cotado a R$ 47,01 — queda histórica de 42,4% em um único dia, após a gestora anunciar a suspensão total dos dividendos de abril. O fundo apurou resultado de R$ 1,24/cota no regime de caixa, mas optou pela retenção integral para preservar garantias em operações pressionadas por juros elevados, atrasos em registros de projetos na Bahia e em São Paulo. O IFIX caiu 0,67% no mesmo pregão.
O episódio é um alerta claro: em um cenário de Selic a 14,75%, FIIs de papel com crédito imobiliário concentrado carregam um risco que o yield de 1%/mês não consegue precificar sozinho. Diversificação e análise do lastro dos recebíveis nunca foram tão importantes.
HISTÓRIAS DA SEMANA
🚀 EZTec bate recorde histórico no 1T26 — +84,8% em vendas
A EZTec (EZTC3) entregou os melhores números de sua história no primeiro trimestre: vendas líquidas de R$ 696,8 milhões (+84,8% sobre o 1T25) e VGV lançado de R$ 925 milhões (+50,1% a.a.). Os números vieram 21% acima das projeções do Safra. A velocidade de vendas (VSO) ficou em 18,2%. O resultado contradiz a narrativa de que o alto padrão em São Paulo está travado — mas analistas do BTG alertam que o cenário do segmento ainda enfrenta desafios de estoque na cidade.
❝ A EZTec lançou e vendeu mais do que nunca. Em um ambiente de juros altos, isso ou é qualidade de execução fora do comum — ou é um pico que exige leitura cuidadosa do próximo trimestre.
🔄 IGP-M acumula -1,83% em 12 meses: contratos antigos perdem, novos protegem
O IGP-M dos últimos 12 meses fechou negativo (-1,83% até abril), enquanto o IPCA marcou 3,81% no mesmo período. Contratos de aluguel atrelados ao IGP-M têm reajuste zero ou negativo. Contratos novos com IPCA terão correção de ~3,8%. A diferença está criando oportunidades concretas de renegociação — e um argumento forte para migrar contratos antigos de IGP-M para IPCA nas próximas renovações.❝ R$ 4,5 bi saindo do FGTS para quitar dívidas parece notícia ruim para o imobiliário. Mas nome limpo vira comprador. O setor pode colher esse resultado nos próximos trimestres.
❝ O IGP-M negativo é bom para o locatário hoje. Mas índices com esse nível de volatilidade podem virar rapidamente. Para quem assina contrato agora, o IPCA dá mais previsibilidade nos dois lados.
🏦 MRV gerou R$ 387 mi de caixa no 1T26 — mas o repasse da Caixa complica
A MRV (MRVE3) apresentou lançamentos de R$ 2,91 bilhões (+1% a.a.) e vendas de R$ 2,48 bilhões (+13% a.a.). Ponto positivo: geração de caixa de R$ 387 milhões. Ponto de atenção: mudanças nas regras de repasse da Caixa pressionaram a conversão dos bons resultados comerciais em caixa mais robusto. A ação caiu 4% após a divulgação. Resultado completo em 11 de maio.
❝ A MRV cresce em volume, mas a relação com a Caixa — seu principal parceiro de financiamento — virou uma variável de risco que o investidor precisa acompanhar de perto.
SEMÁFORO MONITOR
🟢 Avançando | 🟡 Monitorar | 🔴 Ignorar |
|---|---|---|
EZTC3 +84,8% emvendas no 1T26,recorde histórico daempresa | MRVE3 geração de caixa positiva, masrepasse Caixa é risco.Resultado em 11/05 | CYRE3 lançou48% menos no 1T26.Alto padrão travado.Resultado em 14/05 |
DIRR3 / CURY3 vendas +19%, altaexposição ao MCMV.Novas regras ampliamo mercado-alvo | FIIs de papel — CACR11 (-42% )acendeu alerta de crédito. Yield de 1% não precifica o risco | EVEN3 sem lançamentos no 1T26,estoque elevado.Recuperação vailevar tempo |
Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos.
🔊 QUICK TAKES
🏙️ O Leblon vale R$ 25.777/m²: O bairro mais caro do Brasil fecha 2025 no topo, com ipanema logo atrás em R$ 25.373/m2. A Barra da Tijuca lidera lançamentos de alto padrão no Rio, com valorização de 19% em dois anos.
🏦 Crédito imobiliário deve crescer 15% em 2026, diz Bradesco BBI: O banco aposta em aceleração no 2º semestre, puxada pelas novas regras da Caixa e pela trajetória de queda da Selic. O estoque de demanda represada é alto.
🗳️ Mercado imobiliário em ano de eleição: afeta ou não afeta? Historicamente, MCMV e habitação popular aceleram. Alto padrão hesita até outubro. 56% dos compradores em MG dizem que mantêm os planos de compra.
📈 Carteira fundamentalista de FIIs da XP para maio de 2026: A XP atualizou sua carteira com foco em ativos de qualidade e contratos longos. O episódio CACR11 esta semana reforça exatamente essa tese: em FIIs de papel, o lastro dos recebíveis importa mais do que o yield nominal.
ATÉ A PRÓXIMA QUINTA
Nos vemos na próxima quinta às 12h59. 🏗️
Até lá! 👋
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